REVOLTA
LATINO-AMERICANA - VICTOR BOGADO
A cidade de São Paulo, Brasil converteu-se no centro teatral mas
importante desse país, com muitas companhias e grupos entre os quais
alguns são experimentais - é dizer que procuram novas linguagens
cênicos como o Teatro Kaus que nos visita com a peça A
Revolta do dramaturgo argentino Santiago Serrano (é ademais
psicanalista, diretor do Grupo Teatral Encuentros e psicodramatista),
sob a direção de Reginaldo Nascimento.
A peça -estreada em Buenos Aires
em 1984- acontece no campo e em tempo indefinido mas é fácil inferir
que pode ser um pais latino-americano e que sofre os embates de um
movimento social violento com o fim de criar uma sociedade mais justa e
por conseqüência mais humana e solidaria. Em poucas palavras, A
Revolta fala sobre a condição humana, da luta entre o bem e
o mal, do logro de nossos ideais e o enfrentamento por vezes violento -
com nossas debilidades e deslealdades. (Toda peça teatral tem em
última instancia. um fundo axiológico, é dizer conflitos onde lutam
valores e anti-valores).
É como uma reflexão em voz alta sobre a sociedade atual -com
diferentes desigualdades sociais que nos convida a pensar e analisar
sobre nosso accionar como seres humanos a procura do bem comum.
O elenco paulista fez um grande esforço para nos trazer uma versão
em língua espanhola, feito que entorpeceu em parte a perfeita
compreensão do texto. Mas o texto espetacular com sua fisicalidade,
unido à energia, concentração e entrega dos intérpretes em seus
respetivos papesi salvou o problema da lingua e como resultado nos
entregaram una homogenia atuação de todo o elenco conformado por
Amália Pereira como Malva, Maritta Cury no papel de Judith, Gisele
Porto a Sara, Antônio Ranieri Martín e Adriana Cubas no papel de
Antônia.
A cenografia, iluminação e figurinos criam o ambiente visual
apropriado para esse drama rural. A direção cénica do jovem diretor
Reginaldo Nascimento é correta, dotando à montagem
de plasticidade, bom ritmo e "timing" atoral.A
Revolta é una mostra da integração teatral e cultural que
deve se fazer em nosso continente paralelamente à integração
econômica do MERCOSUL e permitirá estreitar laços de amizade entre
nossos povos e o conhecimento de nossas respectivas dramaturgias.
O
projeto teatral do Grupo Kaus chamado Fronteiras de
difusão da dramaturgia latino-americana no Brasil é um exemplo que
toda a comunidade teatral deveria imitar e apoiar com muito interesses
e cooperação solidaria. Nesse sentido, os Temporais Internacionais
de Teatro tem aportado seu grão de areia nesta direção desde já o
faz a mais de dez anos.
VICTOR BOGADO -Julho de 2007
TEMPORALES
INTERNACIONALES DE TEATRO DE PUERTO MONTT - CHILE
As
Revoluções e a latinidade - Guilherme Conte
A
REVOLTA
O
historiador Eric Hobsbawn tem uma linha de pensamento que pode ser
sintetizada na máxima de que a história é feita de permanências e
rupturas. Estas se caracterizam por transformações radicais e violentas
que subvertem a ordem vigente e estabelecem um novo status quo. Revoluções
exigem sangue e sacrifícios. É difícil operar as transformações para o
estabelecimento de uma nova ordem. Esta, por sua vez, carrega dentro de si
uma lógica que só é passível de ser derrubada por uma nova revolução.
É essa condição de falibilidade intrínseca mantém a tensão entre os
atores do jogo histórico.
A
Revolta, do argentino Santiago Serrano, fala sobre revoluções. As grandes
e as pequenas, as universais e as particulares. Situada em um ambiente rural
sem tempo época definido, traz uma revolução social como pano de fundo
para o palco das pequenas revoluções – as cotidianas, mundanas, que
perfazem o nosso dia a dia. Malva (Amália Pereira) é uma matriarca que se
vê as voltas com uma ausência dolorosa em sua casa: um de seus filhos foi
preso pelos opressores da sociedade local, por “suas idéias”. Sua
voluptuosa nora Judith (Maritta Cury), a “gringa”, sofre com a carência
e a falta do marido, além de estar em um país distante. Ela se envolve
perigosamente com Martin (Antonio Ranieri), o outro filho de Malva, que
trabalha para os mesmos senhores que prenderam o irmão. Nesse tenso
ambiente ainda transita Sara (Janette Santiago), a escrava da
família.
A
iminência da revolta e da volta do filho aprofunda os conflitos entre as
personagens e manda às favas o tênue equilíbrio que sustentava a casa. O
resultado é violência, tanto física quanto verbal. O texto de Serrano
acaba funcionando como uma grande reflexão da própria evolução da
história da América Latina. Ali estão os estrangeiros que vêm para
explorar a terra e seus recursos, o estrangeiro que pensa a revolução com
um olhar externo, o povo oprimido, o opressor, os que pensam a revolução
como um bem geral, os que vêem nela benefícios individuais... Malva,
incapaz de ver o que acontece em sua volta, projeta no filho preso e em sua
revolução seu obstinado desejo de vingança. Seus diálogos com a vizinha
Antonia (Adriana Cubas), seu contraponto ideológico, evidenciam o choque
entre as razões pessoais e o pensamento em um bem maior, que beneficie a
todos de alguma forma.
A
direção de Reginaldo Nascimento acerta em optar por uma construção
cênica que prioriza o texto e o trabalho de ator. Os elementos
cenográficos são os minimamente necessários para que a trama se
desenvolva com os diálogos e as ações sem se sobreporem. É notável
também seu talento para a criação de imagens marcantes. É possível
apreender da montagem um sólido trabalho de construção de
interpretações, uma das preocupações fundamentais da Teatro Kaus Cia.
Experimental. Todos estão muito seguros de suas personagens e intenções.
O que pesa contra o jovem elenco é talvez certo excesso de rigidez. As
interpretações resultam, no geral, um tanto quanto duras, marcadas. Isso
fica evidente, por exemplo, no modo de falar de Amália: talvez por pretenso
virtuosismo, talvez por excesso de esmero, sua Malva soe barroca demais, o
que compromete a própria compreensão plena do texto e de todas as suas
nuances verbais. Um tom abaixo na partitura pode fazer com que o personagem
ganhe em naturalidade. São falhas que tendem a se atenuar e até
desaparecer ao longo do amadurecimento do espetáculo em temporada.
A
troca com o público é valiosa quando se tem um grupo aberto e interessado
no aprimoramento de uma linguagem, o que parece ser o caso do Kaus. É de se
destacar, aliás, a iniciativa do grupo de construir um trabalho ancorado em
uma séria e constante pesquisa de dramaturgia. A Revolta é um dos filhos
do projeto “Fronteiras – O Teatro na América Latina”, que também
englobou as montagens de Infiéis, do chileno Marco Antonio de La Parra, e
de El Chingo, do venezuelano Edílio Peña. Ficam os votos de que a peça
entre em temporada na cidade e a curiosidade a respeito dos caminhos a serem
tomados pela companhia.
Guilherme Conte São Paulo,
23/3/2007
EL
CHINGO: E os fantasmas de cada um- RUY FILHO
Um homem solitário finge ser
fanho e contrata uma empresa de atores especializada em psicodrama para
rever sua mãe. Por equívoco, quem chega é um ator, que precisa realizar
o serviço para se manter no emprego. Esta é a base do espetáculo El
Chingo, escrito pelo dramaturgo venezuelano Edílio Peña.
A montagem, encenada pela Teatro Kaus Cia. Experimental e dirigida por
Reginaldo Nascimento, pode ir além do que está, propondo
experimentações maiores na interpretação e cena. O demasiado respeito
ao texto, vencedor do Prêmio Nacional de Dramaturgia da Casa de la
Cultura de Maracay, torna o espetáculo comedido e correto, sem riscos,
mas ao mesmo tempo revela em Nascimento um diretor objetivo, honesto.Se
ficamos com vontade de ver surpresas, ao mesmo tempo é nítida a luta da
companhia Kaus por amadurecimento de uma linguagem própria. E isso
infelizmente é raridade entre os grupos atuais.
A escolha pela ênfase no final trágico
traz acertos e fragilidades. Ao conduzir a criação dos personagens de
maneira mais agressiva, esquizofrênica, o espetáculo ganha em potência
dramática, ainda que isso enfraqueça o humor próprio da
situação.Perde-se também a possibilidade de ser trabalhada a metáfora
da atuação, do fingir, na busca clara do texto em transcender ao teatro,
elaborando um interessante jogo meta-teatral para refletir sobre a
condição própria do homem e a necessidade constante de se fazer outro
para dialogar com seus medos e semelhantes.
Edílio Peña oferece mais do que jogos de
cena. Elabora um complexo sistema de metáforas sobre o fazer teatral,
deixando claro suas críticas ao amadorismo e despreparo dos
profissionais. Em falas aparentemente casuais, surgem comentários ácidos
ao comportamento familiar e a situação política venezuelana, quando o
país é confundido com a Bolívia, por exemplo.No melhor estilo de Harold
Pinter, o conflito é recheado por silêncios de incompreensão do outro e
cumplicidade, silêncios esses esquecidos na montagem, que trata o texto
de maneira tradicional e ortodoxa.
Há o tom sarcástico do ridículo na
situação do ator travestido em mãe, no fanho fingido, na mesa posta
feito cenário para compor o encontro com os diálogos escritos pelo
contratante, na foto de Vivian Leigh, tal como uma mãe perfeita.
Instigante, aos poucos o enredo mostra as contradições dos personagens,
conduzindo o espectador a uma busca frenética por compreensão.Mas não
é sobre o entendimento que fala El Chingo, pelo contrário. O espetáculo
trata de culpas, sensações guardadas que necessitam ser expurgadas e que
só dizem respeito a seus personagens, angústias e solidões. E nos
reporta a uma viagem aos nossos próprios fantasmas.
El Chingo mostra por que Peña é um dos mais interessantes dramaturgos
latinos, com montagens em diversos países. Sua dramaturgia vai além da
construção impecável para compor momentos de inquietação da alma do
homem contemporâneo. Um retrato duro do que nos tornamos quando a
solidão é cada vez mais a nossa defesa.
SEM
FRONTEIRAS
Santiago
Serrano- Dramaturgo Argentino
Eu
tive a fortuna de assistir durante o Ciclo de Debates sobre o teatro na
América Latina a ensaios abertos das três peças que formam parte do
repertório que Teatro Kaus apresenta em seu projeto “Fronteiras” Sendo
autor de uma das peças não e minha intenção falar de a qualidade de meu
próprio texto o de os de meus colegas Peña e De la Parra mas não posso
deixar de reflexionar sobre o trabalho do grupo que encenou com muito
profissionalismo três propostas diferentes provenientes de Chile, Venezuela
e Argentina.
Infiéis:
Com texto de Antônio De la Parra apresenta um maravilhoso
jogo cênico onde o tempo e o espaço perdem a sua lógica e cada um dos
quatro protagonistas desnudam seus mais íntimos desejos. Só quatro atores
em um pequeno espaço cheio de camas bastaram como elementos para mostrar o
amor e a traição, a vida e a morte. Sim vítimas nem verdugos o diretor
fez que os atores com grande virtuosismo expunham as complexas arestas de
suas personagens.
Maritta
Cury transita de uma sensualidade quase agressiva a uma infinita
fragilidade. Robson Raga pode ser um homem com coragem para chutar o
tabuleiro da sua vida em procura da felicidade e também um covarde que
sempre é infiel a sim mesmo. Amália Pereira é a fiel e sensata esposa que
deslumbra com seus desejos reprimidos. Angelo Coimbra como o homem
inexpugnável deixa todo o tempo a vista um pouco de sua impotência.Uma
encenação precisa e muito rigorosa de Reginaldo Nascimento que faz
próprio um texto aparentemente estrangeiro.
El
Chingo:
A peça de Edilio Peña é a mostra da procura impossível do homem por seu
desejo. Dois solitários que caminham pela vida tentando realizar suas mais
profundas fantasias se encontram e começa entre eles uma relação que pode
salvá-los o perdê-los. Robson Raga põe todo seu histrionismo ao serviço
de sua personagem e alcança a corporizá-lo Djalma de Lima desde a
contenção das emoções chega ao inesperado final com grande
intensidade.
Os
dois deixam cair suas máscaras mas sempre por debaixo tem outras que fazem
mais ricos e complexos as personagens. Reginaldo Nascimento desde a
direção cria um mecanismo simples, mas muito eficiente, que faz transitar
ao espectador do riso até o estupor.
A
Revolta:
Minha peça foi
definida por um crítico como uma tragédia moderna. Eu coincido com esse
conceito. É uma peça épica que por a intensidade dos sentimentos que
transita e por sua linguagem quase poético a fazem muito difícil para sua
encenação. Eu assisti a um ensaio aberto e ao estréio no Centro Cultural
São Paulo e para mim foi uma experiência que me fez enriquecer.
Eu
pude ver o trabalho minucioso que o diretor fez com o texto e os atores.
Cada palavra que eles dizem no palco esta profundamente compreendida e
sentida. A cenografia e o movimento dos atores são de grande beleza
estética mas nunca fazem perder de vista a atenção do texto e da
história. Reginaldo Nascimento pôs todo seu talento em serviço da peça.
Amália Pereira é a Malva eixo da tragédia e impacta pela sua densidade
dramática.
Ela
é em corpo e alma a velha que de sua poltrona dirige os destinos de aqueles
que a rodeiam.Janete Santiago transmite com calidez e emoção o crescimento
da Sara de menina a mulher. Antonio Ranieri e Maritta Cury debatem-se com
grande intensidade entre as contradições de Martin e Judith e juntos fazem
cenas de muita sensualidad e violência. Finalmente a Antonia que a flor da
pele compõe Adriana Cubas deslumbra pela sua entrega emocional. Diretor e
atores ao serviço de contar uma historia de lutas e traições que nasceu
em Argentina mas que eles fazem universal.
Teatro
Kaus: Risco,
rigorosidade e profissionalismo são palavras que podem definir a este grupo
que um dia sonhou com pesquisar nas dramaturgias do resto da América Latina
e que tiveram a coragem de fazê-lo com respeito e dedicação. Eles com seu
projeto “Fronteiras” nos demonstram que em teatro as fronteiras não
existem e que a aproximação com diferentes línguas e culturas nos faz
enriquecer a todos. Quando os outros falam de sim mesmos sempre falam de
nós. Santiago Serrano Buenos Aires, 9 de março de 2007
O
PERFIL TEATRAL DE KAUS
Edilio
Peña.Dramaturgo Venezuela
A
companhia teatral Kaus, nos tem
oferecido três notáveis espetáculos teatrais este ano: Infiéis, A Revolta e El
Chingo, com os que há exposto uma concepção de madura
teatralidade que pomos encontrar nas suteis encenações
de
seu diretor Reginaldo Nascimento. Em cada uma de elas, encontramos uma
olhada que recriar as histórias escritas, uma visualização particular
para abordar estas três peças, de estilos e composições
dramatúrgicas diferentes, as duas primeiras mais próximas ao naturalismo e
a terça ao absurdo, desde a perspectiva de uma assunção estética clara e
definida, mas sobre tudo, nova. Reginaldo Nascimento é um criador
de universos cênicos pessoais.
Na
montagem das peças de autores latino-americanos, Santiago Serrano (A
Revolta), Marco Antônio de la Parra (Infiéis), e Edilio Peña (El Chingo),
Reginaldo Nascimento aproximou-se lá interpretação destas peças mediante
a desconstrução do espaço e o tempo onde ficam contextualizadas as
histórias das mesmas. É dizer, as três peças sugerem um espaço
particular de acontecimento, mas o diretor preferiu apagar o espaço
referencial proposto pelos autores, e ir a um espaço quântico onde só
sobreviveram alguns referentes que lembraram os propostos pelos escritores.
Assim, estas montagens de Reginaldo Nascimento, concitaram também um tempo
sem tempo, onde as personagens das peças pareciam emergir da obscuridade e
a nada, para alojar-se, como passageiras de uma poética feliz, ante a
olhada curiosa dos espetadores. Do mesmo modo, os sentimentos das
personagens foram concentrados na interpretação acertada dos atores, e
não na procura de uma espetacularidade fácil, fora da interioridade, que
incapacitara ao ator, como intérprete e visualizador também, das peças
representadas.
Assim,
a intensidade dramática de uma peça como Infiéis, foi vista desde a cor
branco, objetivo, sereno, para procurar compreender em sua justa medida, o
desgarramento de umas personagens infiéis a sua própria história coletiva
e pessoal. A disposição cênica de A Revolta, também, nos permitiu
compreender a ausência do herói (filho, irmão e esposo), por médio de um
fundo vazio que expressava a irresolução afetiva de todas as personagens,
em particular, o da mãe devoradora, cheia de raiva y ressentimento. Em El
Chingo, a penumbra neblinada é a plataforma onde um personagem traumatizado
como El Chingo, convocava a luz de um ausente idealizado como sua suposta
mãe: Vivian Leigh. Em fim, cada uma das encenações, foram conformadas com
pontualidade, contundência e deslumbramento cênico.
Tambem
, devo reconhecer, como um importante asserto o Encontro entre
dramaturgos e diretores latino-americanos, que aconteceu no Instituto
Cervantes, e também foi organizado pela companhia teatral Kaus, e
possibilitou dialogar o debater em torno às propostas e caraterísticas
dramatúrgicas e cênicas, da nossa cena latino-americana. Um Encontro
que permitiu nos conhecer mais e definir nossos particulares perfiles.
Pela impecável organização de este evento por parte da companhia
teatral Kaus, criaram-se as condições para que os teatristas
latino-americanos se encontrem para vencer, assim, o desconhecimento e a
ignorância que a vezes fica em nosso território. Acho que a companhia
teatral Kaus, tem muito de seu nome, mas com a premissa e o fim de
reordenar o caos, para procura lhe a este, sua verdadeira essência
criadora e vital.
GRUPO
KAUS TEM QUE SER LEVADOA SÉRIO
MOISÉS
MIASTKWOSKY-DIRETOR DE TEATRO
Não
se engane pela juventude e simplicidade de Reginaldo Nascimento,ele é
um jovem diretor mais com grande discernimento artístico e técnico, é
competente e não fica devendo nada aos mais badalados diretores da
atualidade. Por isso, acredito plenamente que não demora, Reginaldo
Nascimento estará entre os mais importantes diretores de teatro do
Brasil, é só deixar o rapaz trabalhar, prestigiando e dando o devido
apoio, concedendo subvenções e percebendo o quanto o grupo Kaus é
adulto, responsável e altamente artístico.Quero ver em brevenos
jornais o nome do Reginaldo e de seu grupo entre osmais cotados e
respeitados de São Paulo.
O referido Grupo, desde de sua criação, vem
produzindo eventos qualitativos e espetáculos teatrais elogiados pelo
público e crítica. Há poucos meses aconteceu o seu ciclo de debates
Latino Americano, que obteve grande repercussão, neste evento o grupo
Kaus nos desvendou a dramaturgia latina, tão perto e ao mesmo tempo
tão distante de nós.
Conheço Reginaldo Nascimento desde de
sua adolescência nos Anos 90, quando fez parte da Montagem que dirigi Morte
e Vida Severina, na Cidade de São José dos Campos. Já nessa
época pude perceber que esse garoto de 14 anos tinha uma vocação
precoce e era nítida sua paixão pelo teatro.Seu olhar brilhava de
entusiasmo quando recebia uma Personagem e Reginaldo foi mostrando com o
tempo o seu talento em várias outras montagens, desde infantis até os
mais excêntricos, como foi o caso da encenação de Álbum de
Família , sob direção de Cibele Forjaz, espetáculo este
de concepção muito ousada e desafiadora, nde o elenco literalmente
brotava da terra, e lá estava Reginaldo atuando e colaborando como
diretor assistente, foi então que se deu a descoberta de Reginaldo
encenador.
Como jurado de vários
festivais de teatro por estes Brasil, tive a oportunidade de julgar
vários trabalhos concebidos pelo Reginaldo, um deles que me ficou na
memória foi Homens de Papel, do imortal Plínio Marcos, que me
levou a catarse, não só pelo elenco corajoso e desprendido mas também
pela mão sensível e criativa de seu diretor. E assim, vieram outros
espetáculos dirigidos por este jovem diretor como Vereda da
Salvação com impressionante visceralidade e organicidade.
Por tudo isso, digo que o grupo Kaus
tem que ser levado a sério, pois são pessoas apaixonadas pela arte
de representar, comprometidos, íntegros e que mergulham profundamente
nos seu estudos. Merecidamente, e antes tarde do que nunca, o grupo foi
agraciado com o Fomento, e com esse benefício em dinheiro criou o
evento já citado, de grande magnitude e relevância, pois nos trouxe
cara a cara dramaturgos latinos pouco conhecidos entre nós, desfazendo
o preconceito que outrora existira em relação aos nossos vizinhos.
Foram produzidos recentemente pelo Kaus,
três espetáculos de autores latinos, a saber: Infiéis, do
Dramaturgo Chileno Marco Antonio de la Parra, El Chingo, de
autoria do Venezuelano Edilio Peña e A Revolta, do Argentino
Santiago Serrano, espetáculos dignos com elenco de qualidade e
direções maduras e bem conduzidas em suas diferentes linguagens.
Santiago Serrano,tem uma
dramaturgia que me agrada muito,alem de ser uma pessoa sensível e muito
amiga,tem no seu teatro a habilidade de jogar com os sentimentos
humanos,seu texto a revolta , alem da sua temática abordar o
regional,eh extremamente PROFUNDO E INSTIGANTE.,nos seus
conflitos,transborda teatralidade de muita maestria e qualidade
literária e o resultado no palco so podia ser bom. Os outros
dramaturgos,La Parra e Edilio Peña tambem mostram o seu teatro com
verdade e competência,e as encenações desses textos também resultam
em ESPETACULOS de qualidade artística e técnica.Essas montagens
estiveram em cartaz no Centro Cultural São Paulo, sendo prestigiadas
pelo grande público, artistas e intelectuais de São Paulo. Não vou me
cansar de tecer elogios para esses elencos que são tão bem conduzidos
pelo diretor e mostram magia domínio e arte.
É certo que o Kaus não agradará
a todos, mas também é certo que agradará muita gente. Além disso,
não devemos esquecer que também incomodará muitas outras pessoas. Aí
virá o questionamento, quem eh esse elenco,quem são esses jovens
audaciosos e corajosos para bancarem eventos tão relevantes e
importantes para o teatro nacional? Deixo aqui registrado como artista e
como pessoa que ha trinta anos se dedica 24 horas por dia ao fazer
teatral que reconheço e aprovo toda essa gana e garra desse talentoso
diretor, o meu carinho e respeito extensivos a toda a sua trupe.Sei o
quanto esse grupo batalhou, se desdobrou para serem reconhecidos como
artistas. Acredito plenamente que nunca houve uma escolha tão acertada
quanto a entrega do Fomento ao Grupo Kaus.Parabéns a cada integrante do grupo kaus pela entrega e dedicação A
ESSE GRUPO JOVEM QUE APARECEU PARA FAZER A DIFERENCA.
MOISÉS MIASTKWOSKY
- DIRETOR
DE TEATRO-2007
VOLTA